Eu ouvi uma vez numa música que a gente só odeia a estrada quando
sentimos falta de casa. Sempre achei incrível e coerente essa frase, mas
só agora depois de 2 meses longe de casa que percebo o quanto ela
realmente significa. Houve dias em que tudo que queria era fazer aquele
percurso já conhecido de onde chamo de lar, com os rostos e sorrisos que
sei de cor. A vontade daquela mesa de café da tarde bem posta, e "chama
todo mundo porque o pão saído do forno está esfriando!!"
Houve dias em que o trem nunca parecia que chegaria, e o frio não me deixava ficar sossegada esperando.
Por outro lado, houve dias em que me surpreendi comigo mesma. Com minha
deveras coragem de ir pra cidades tão diferentes que muita gente nem
ouviu falar. De pegar trens meio na dúvida e de ter que confiar na
informação de qualquer pessoa que parasse para ouvir minhas dúvidas na
rua. De entregar minha câmera pra tanta gente de tantos países que
muitas vezes não falavam nenhuma das línguas que eu falo, mas que de
alguma forma entendiam meu pedido e prontamente tiravam uma foto minha.
Houve dias que a efemeridade do tempo da estrada me dava um choque e eu não mais sentia tanta falta de casa. Quase não dormi em nenhum percurso que fiz até hoje pelos trilhos ou estradas da Alemanha e França. Apenas ouvia minhas músicas, lia meus livros ou pensava em tudo que está acontecendo e escrevia, como aconteceu com esse texto.
Sinto sim falta de poder às vezes perguntar "e aí? Acha que isso vale a pena comprar?" ou "psiu, isso aqui fica legal em mim ou não eras?" quando viajo sozinha, mas com isso vou vendo que na vida inteira há momentos em que ninguém pode fazer escolhas por mim, e que como forma de acalento isso não é ao todo ruim, apenas se a escolha for a errada, não há com quem dividir a culpa.
Houve dias em que o trem nunca parecia que chegaria, e o frio não me deixava ficar sossegada esperando.
Houve dias que a efemeridade do tempo da estrada me dava um choque e eu não mais sentia tanta falta de casa. Quase não dormi em nenhum percurso que fiz até hoje pelos trilhos ou estradas da Alemanha e França. Apenas ouvia minhas músicas, lia meus livros ou pensava em tudo que está acontecendo e escrevia, como aconteceu com esse texto.
Sinto sim falta de poder às vezes perguntar "e aí? Acha que isso vale a pena comprar?" ou "psiu, isso aqui fica legal em mim ou não eras?" quando viajo sozinha, mas com isso vou vendo que na vida inteira há momentos em que ninguém pode fazer escolhas por mim, e que como forma de acalento isso não é ao todo ruim, apenas se a escolha for a errada, não há com quem dividir a culpa.
É uma sensação boa, mas talvez estranha para muitos. Como disse para algumas pessoas que me perguntaram, estar sozinha num país tão diferente do meu tem tanto seus muito altos quanto seus muito baixos. Porém, mantemos a positividade na maior parte do tempo. A experiência é única, a oportunidade também. A intenção toda é conseguir fazer com que as pessoas possam viver através de mim, um pouco dessa oportunidade à mim ofertada. E talvez incentivá-las em alguns aspectos, mostrar que não estão sozinhas nos medos do cotidiano. Esse é, sem dúvida, um dos meus maiores objetivos. Até porque eu gosto também de sentir que não estou sozinha.
Quem sabe, sendo assim, todos os trilhos para as tantas cidades, me levem, na realidade, ao mesmo lugar. Um lugar onde nem sabia que gostaria de estar, mas que acabei chegando e me apaixonando. E quem sabe, assim como sempre quis, consiga levar pessoas comigo, para que sintam uma euforia quase palpável de tantos acontecimentos inimagináveis.

Quem sabe, sendo assim, todos os trilhos para as tantas cidades, me levem, na realidade, ao mesmo lugar. Um lugar onde nem sabia que gostaria de estar, mas que acabei chegando e me apaixonando. E quem sabe, assim como sempre quis, consiga levar pessoas comigo, para que sintam uma euforia quase palpável de tantos acontecimentos inimagináveis.
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