Monday, March 28, 2016

Um ponto que me incomoda nos alemães.

       Era uma tarde de quarta-feira e estávamos com todo o curso visitando o Museu da Mercedez-Bens que se localiza em Stuttgart. De lá, após duas horas de visitação, o ônibus fretado nos levaria para Esslingen, onde teríamos mais duas horas de tempo livre para andarmos pela cidade ou conhecermos o castelo.
        O problema ocorreu quando, na hora da partida, um colega nosso não apareceu. O casaco dele ainda estava no guarda-volumes e não conseguíamos acessá-lo pelo celular. No momento em que todos nós, colegas dele, começamos a ficar realmente preocupados, o ônibus ligou e começou a andar. Mesmo com nossos protestos pela falta desse colega, ele não parou. As professoras tomaram a palavra e disseram simplesmente: "É só ele pegar o S-Bahn que em uma parada ele chega onde vamos ir agora.", nós dissemos: "Mas ELE sabe disso?? Ele não é daqui.", e a resposta se deu com um silêncio.
         Acho incrível essa capacidade alemã de ser "pontual" em momentos desnecessários como esse. Tudo bem começar uma aula no horário marcado, uma reunião, uma reserva num restaurante, a partida de um ônibus de transporte público. Mas aquele dia estávamos numa viagem em grupo, o ônibus e o tempo eram nossos, sendo que o "plano" seguinte era duas horas de tempo livre. Como poderiam ter certeza que esse colega que deixamos para trás não estava talvez necessitando de auxílio por estar passando mal? Ou se ele realmente não se perdeu no Museu porque ele era enorme, circular e por isso igual em todos os cantos?
        Às vezes eu tenho a impressão que os alemães são pontuais apenas porque mandam eles serem pontuais para serem alemães, apenas para seguirem o estereótipo, porque notoriamente há situações em que esse comportamento é desprovido de lógica. Alguns nativos, inclusive, não gostam de serem assim, mas são porque "é assim que alemães têm de ser".
       Com isso, não estou dizendo que a Alemanha deve virar um Brasil em que as pessoas marcam encontros e aparecem três horas mais tarde, ou que as festas não devem ter horário de início ou fim (o que é prático e bom para planejamento), mas que seria interessante um pouco mais de pensamento sobre as pessoas. Imprevistos acontecem, na maior parte das vezes à contragosto não só de quem espera alguém atrasado, mas também de quem se atrasa.  Falta um pouco daquele interesse pelas pessoas que nos são queridas como acontece no Brasil (e cito aqui Estados Unidos também porque temos americanos na turma que se preocuparam tanto quanto nós), aquela sensação de se colocar no lugar do outro e ver que algo pode estar errado.
         Enfim, felizmente, apenas para terminar a história, nosso colega nos encontrou na cidade vizinha cerca de uma hora depois. Saiu perguntando pela rua como chegar na estação, e conseguiu pegar o trem. Alguns guris ficaram num bar esperando ele para que tivesse uma referência quando chegasse na cidade. Ele não estava tão irritado quanto nós, o que nos surpreendeu, mas que não diminui o nosso pensamento menos individualista que o alemão.

Sunday, March 20, 2016

Na Alemanha, 1 centavo tem valor.

       Isso é mais uma curiosidade do que qualquer outra coisa.
       Diferente do Brasil, quando um produto custa €0,99 aqui na Alemanha, ele custa €0,99 e não €1,00 como costumamos arredondar no país tropical. 
      No início foi até um pouco engraçado. Eu pagava, guardava o que comprei, guardava minha carteira e quando olhava para cima o vendedor estava ainda me estendendo o 1 centavo de euro que eu nem esperava. 
       Minha carteira está com muitas moedas de 1 e 2 centavos que, por não ter costume nem valor no Brasil, eu acabo esquecendo de usar. É incrível como temos inclusive um pouco de receio de pagar com essas moedas também, porque parece até que não faz muito sentido juntar uma moeda de 2 e três de 1 para completar os €2,95, mas é isso mesmo. 
       Pensei em escrever sobre isso quando paguei um café usando praticamente só essas moedas de baixo valor pela primeira vez, e lembrei que no Brasil isso não seria possível. Acho uma informação interessante para quem planeja vir para a Europa, ou até para quem desde pequeno se irrita com o "posso dar troco em bala?" brasileiro. 
       Aos poucos a gente vai aderindo esse costume, vai entendendo que na realidade quem está errado é quem não devolve o troco correto. E por mais chato que seja carregar moedas, bom, é dinheiro, e não se deve simplesmente jogar fora.



Thursday, March 17, 2016

Encontrando Sírios.

       Num sábado, decidi aproveitar que as lojas ainda estavam abertas para ir conhecer o Marktplatz, onde fica a prefeitura, pois nos domingos tudo fecha na Alemanha (menos museus). Acabei descendo na parada de sempre, na Neckarbrücke e aquele dia decidi tirar um foto lá. Haviam dois homens tirando uma foto e uma senhora que olhava se propôs a tirar a minha. Esperamos eles saírem da ponte e logo fizemos minha foto. 
        Nesse momento, a senhora que tirou minha foto perguntou de onde era. Respondi e então notei que os dois homens que tiravam a foto estavam com ela e com o marido dela, além de mais seis ou sete homens. Foi a minha vez de perguntar de onde eram, e a resposta foi "Síria". O casal era da Alemanha, a senhora era professora de alemão deles. Estavam todos fazendo um turismo em Tübingen. O dia estava lindo, com um sol enorme, e não muito frio. Conversamos um pouco e, com isso, o casal de alemães me chamou para ir junto com eles. Não havia por que dizer não.
         Conseguimos ir no Castelo de Tübingen (que também é museu), na Prefeitura e, inclusive, subimos na torre da Stiftskirche. A subida é complicada, mas vale cada degrau. Tivemos uma visão ampla e extremamente alta da cidade, ainda mais num dia de tempo tão aberto.
           Os sírios vieram para morar na Alemanha, mas por enquanto estavam em casa de família numa cidade mais afastada de Tübingen, fazia já 3 meses. Na Síria fizeram alemão por outros 4 meses. Alguns já entendiam bastante, outros ainda preferiam o inglês, mas estavam se virando bem.
          Acabamos nos separando pelo meio da tarde. Eles preferiram ir comer alguma coisa, e eu queria apenas comer um Donut e continuar andando. O dia estava bom demais para parar dentro de restaurantes um tanto quanto mal iluminados.

Vista do Castelo de Tübingen

Vista da Torre da Stiftskirche

Dentro da Stiftskirche

Rathaus - Prefeitura de Tübingen

Tuesday, March 15, 2016

Subindo 768 degraus.

       Num de nossos dias durante a semana em que permanecemos em Blaubeurren, tivemos uma tarde de visita à cidade de Ulm. É uma cidade muito bem movimentada, de cerca de 120.000 habitantes e com a catedral (Münster) gótica mais alta do mundo, completa com seus 161 metros de altura e 768 degraus para chegar até o topo.
         Em contraste com essa catedral, temos uma Stadthaus, ou seja, uma casa enorme com informações para turistas e que sempre tem uma exposição nova para quem desejar visitá-la. Construída por volta de 1993, essa Stadhaus foi projetada por um arquiteto nova iorquino ganhador de prêmio Nobel chamado Richard Meier. A intenção principal era fazer com que se cultivasse o máximo do espaço e trouxesse mais pessoas para visitar a Münsterplatz. Porém, no fim, essa construção trouxe muito polêmica para a cidade a partir do momento em que ofuscou um pouco a grandiosidade da catedral que fica a poucos metros de distância. Fala-se, então, que temos na Münterplatz um notório contraste de uma linda construção histórica gótica com um edifício de arquitetura completamente moderno.
        Além disso, que já não é pouco, há a poucas quadras da Münsterplatz o prédio da prefeitura de Ulm. É um prédio repleto de imagens e cenas retratadas à mão conservadas do ano de 1419, quando o prédio efetivamente se tornou uma prefeitura. É um prédio muito conhecido não só por ser lindo, mas também por possuir um relógio astronômico projetado por Johannes Kepler em 1520, e que continua funcionando até os dias de hoje. Nele podemos ver em que mês estamos e que signo está prevalecendo no momento, por exemplo. Dourado com azul, é uma marca muito querida pela cidade de Ulm.
          Agora um pouco mais distante de tudo isso (digo pouco porque para ser distante em Ulm tem que fazer esforço), temos o rio Donau. Ele reparte Ulm em cidade velha e cidade nova. Tudo aqui falado fica na cidade velha, e quando olhamos através do rio notamos uma diferença de arquitetura, de cor nas edificações, da quantidade de vidro que há na nova Ulm, esta que já fica na região da Baviera. Sim, estávamos há uma travessia de rio de distância da Baviera, e isso é tão legal que até o Rei, em 1810, pensava isso também. Nesse ano ele pediu para que construíssem um aparato de vôo, completamente louco, para que ele pudesse atravessar o rio direto do topo da torre de entrada de Ulm. No dia da apresentação para a população, o aparato acabou caindo dentro rio sem concluir a travessia. Nada de grave aconteceu, nenhuma morte daquele dia, mas a partir disso os construtores do aparato notaram que ele até funcionava para atravessar para a Baviera, mas apenas se cruzassem pelas montanhas e não por cima do Donau, onde o vento era tão instável.
         De volta a catedral de Ulm, era hora de subir a torre. Quando começamos a subida, não sabíamos que ia ser tão complicado. A gente sabia que a torre era muito alta e que eram muitos degraus, mas não tínhamos conhecimento que as escadas eram tão estreitas a ponto de termos que cuidar para não ficarmos tontos. Foi engraçado ao mesmo tempo que todos ficamos sem ar e apenas queríamos nos deitar no chão. No total são três lances de escadas até o topo, para que as pessoas possam optar por ficar pelo caminho ou seguir até o fim. Não foram todos do nosso grupo que foram até o final das escadas. Talvez pelo vento forte, talvez pelo medo de altura, mas independente do lance de escada que a pessoa para, a experiência é incrível. Estava meio nublado no dia, mas lá de cima isso não impediu que tivéssemos uma ótima visibilidade de 360º de Ulm. Os tetos avermelhados, os rios Donau e Blau, a biblioteca da cidade em forma de pirâmide de vidro. Pode ter sido difícil a subida e a descida, mas parando para pensar, é mais uma história pra lembrar com as pessoas que estavam contigo naquele dia. O quanto riram quando a escada não acabava nunca e as casas nunca ficavam maiores lá embaixo, o que significava que o chão ainda estava muito longe. O quanto algumas pessoas ficaram sabendo sobre si no momento em que a claustrofobia ou o medo de altura não deixou que continuassem. O quanto desejávamos como nunca antes um elevador.
             Nossas pernas ainda doeram durante os próximos dias, evidentemente. Porém, não há uma vez que ao olhar uma escada, não pensemos sobre aquela tarde tão fria que acabou nada mais anda menos que com um bom chocolate quente com chantilly num café ao lado da prefeitura de Ulm.


Münster
Stadhaus

Prefeitura - Rathaus

Maquete da cidade de Ulm


Escada de subida até o topo

Topo da Catedral - Münster


Sunday, March 13, 2016

Was is blau in Blaubeurren?

       Por uma semana moramos em Blaubeurren, todos juntos do curso quase 24 horas por dia. Tomamos café da manhã, almoçamos e jantamos sempre juntos. Fizemos projeto de teatro, fomos em uma Kneipe incrível, e terminou com o meu aniversário.
        Blaubeurren é um cidade muito, mas muito pequena. Tem cerca de 12.000 habitantes e as lojas só abriam em nossos horários de aula, então não há muito o que comentar sobre isso, mas no primeiro dia lá tivemos que fazer um jogo de perguntas com os habitantes, e aí posso dizer que eles são super receptivos e um povo muito doce, como falamos em alemão: so Suβe. Mesmo com um frio congelante e com a neve forte que caía, as pessoas de idade paravam na rua para nos ajudar. Achavam as perguntas interessantes e sempre queriam saber de onde éramos. Duas mulheres inclusive nos levaram numa livraria para ver fotos da cidade num calendário, nos levaram até o museu, nos mostraram livros e marcas arqueológicas que ali se encontram. Nesse jogo, ficamos sabendo muito das histórias de Blaubeurren e uma lenda em particular.
         Há um conto de fada extremamente específico de lá chamado Die Schöne Lau ou A bonita Lau. A Schöne Lau é uma sereia rainha casada com o rei das águas, a quem amava muito, porém não tinha lá muita sorte, pois infelizmente todos os seus filhos nasciam mortos. Ela estava tão triste com isso que não conseguia mais nem sorrir. Então, a sua sogra lhe deu um conselho: ela teria que rir cinco vezes para que seu filho nascesse com saúde, e que para isso a Schöne Lau teria que nadar até as águas de Blautopf, em Blaubeurren. Lá, aprendeu ela com outra sereia a sorrir novamente, e, ao rir cinco vezes, pôde assim dar à luz a uma criança saudável.
          É uma história que nós do grupo não achamos assim com um significado muito intenso para ser tão famosa, mas a intenção dos habitantes com essa história é fazer com que as pessoas queiram visitar essa cidade tão pequena que é Blaubeurren para verem, então, o que é azul em Blaubeurren (Was ist blau in Blaubeurren? - Blau em alemão significa azul). E a resposta, descobrimos, é Blautopf, onde Schöne Lau veio aprender a sorrir. Há, inclusive, uma estátua em homenagem a Schöne Lau na beira do rio, e alguns livros contando a sua história no museu da cidade.
         Algo mais que chamou nossa atenção, é que quase sempre nevava à tarde por alguns minutos, depois abria o tempo com um sol forte, e ventava ou então voltava a nevar. Não interessa o que acontecia, o Blautopf é sempre blau como aparece na foto.

Durante os dois primeiros dias nevou muito forte logo depois do almoço

Schöne Lau

Blautopf

Saturday, March 12, 2016

Sobre fazer aniversário longe de casa.

       Confesso que primeiramente havia ficado animada com a ideia, mas depois de um tempo estava um pouco com medo disso. Fazer 19 anos longe de casa e assim tão cedo depois da minha chegada na Alemanha tinha me deixado meio nervosa com a data. Sempre gostei do meu aniversário, queria que todos ficassem tão felizes com seus aniversários quanto eu fico com o meu, porque é uma data em que mais ou menos tudo é permitido e que as pessoas se permitem demonstrar o amor delas por ti.
         Meu aniversário acabou caindo numa sexta-feira, o fim da nossa semana em Blaubeurren. Uma noite anterior, tínhamos todos ido em um café/kneipe de noite e tínhamos cantado e tocado muito violão no karaokê até quase meia noite. Nós meio que agitamos aquela noite em Blaubeurren porque 90% das pessoas no café eram do curso, as outras eram pessoas de idade que moravam lá e estavam felizes em assistir a gente fazendo aquela bagunça toda. Naquele momento, quase todos meus colegas já sabiam do meu aniversário e aproveitamos a noite para celebrar meu último dia de 18. Foi uma noite muito boa e relaxante depois de uma semana tão corrida. 
        Voltamos para casa 15 para meia noite, e fomos num passo lento a ponto de, ao chegarmos na pousada, minhas colegas começarem a cantar parabéns em inglês, alemão e, incrível demais, aprenderam, em português, o campeiro para cantar para mim, pois tínhamos atingido meia noite naquele momento. Ganhei abraços, felicitações, e fui dormir já feliz com aquele momento, não imaginava que não era nem metade do que iria acontecer.
        Quando acordei no dia seguinte, me arrumei e fui com minha colega de quarto para a sala do café da manhã. Só que, ao abrir a porta, eu vi balões de cores muito lindas no batente da porta, e cartazes colados nela com desejos de feliz 19 anos. Fiquei tão feliz com a surpresa, fiquei mais animada do que jamais estivera. Ainda, ao chegar na mesa de café da manhã, meu lugar já estava pronto, tinha uma caneca escrita "Happy Birthday" e cheia de doces. No meu prato estavam 3 mini cupcakes de bala, e um cartazinho com "HANNAH 19". Eu não sabia como reagir, eu realmente não esperava tudo isso. Tomei o café da manhã levantando vez que outra para abraçar quem vinha me cumprimentar. Alguns surpresos com minha idade, outros muito contentes de estarem comigo nesse 11 de março. O dia seguiu normal, continuei ganhando muitos chocolates, fizemos a prova textual que tínhamos já marcada naquela manhã e pegamos o ônibus de volta para Tübingen logo depois do almoço.
          Para celebrarmos ainda mais, combinei com as gurias de irmos numa Kneipe (casa de festa) aqui no próprio condomínio onde moramos para ser bem perto e tranquilo, apenas para bebermos alguma coisa e irmos para casa já que estávamos todos muito cansados. 
           Ao chegar lá, recebi um cartão com assinatura de grande parte do curso, e uma cerveja que haviam comprado também para mim em Blaubeurren. O cartão foi o melhor da vida, com a bandeira da Alemanha na capa e a do Brasil na contracapa, para que eu me sentisse, pelo menos um pouco, em casa. 
           Novamente para minha surpresa, depois de uma hora já lá, chegou na Kneipe mais 13 colegas nossos com "Alles gute zum Geburtstag, Hannah!!!", e entraram no bar onde a música estava mais alta para dançarmos até nossos pés cansarem. Os planos de ir embora cedo já não mais faziam sentido. A Kneipe era aconchegante, com uma luz média a fim de que conseguíssemos nos ver e especialmente para estudantes. Inclusive tinha que mostrar a carteirinha antes de entrar. Ficamos lá até quase o fim da festa, que aqui tem hora para acabar, ficamos conhecendo até algumas outras pessoas que também estavam aproveitando a noite no mesmo lugar que nós.
           Posso dizer que foi um aniversário que eu jamais quero esquecer. A angústia de que a data fosse só mais um dia de correria em outro país já não faz mais sentido depois de tantos acontecimentos bons, queridos e de tantas vibrações positivas para comigo. Gente de tantos lugares diferentes, alguns lugares onde nem ao menos se comemoram aniversários, lá do meu lado no dia que eu digo ser o meu do ano. 
       Espero que essas pessoas que fizeram meu dia especial tenham aproveitado tanto quanto eu. E espero, principalmente, que saibam o quanto me fizeram feliz.









Friday, March 11, 2016

Sobre a escolha da Universidade.

       Ao lançarem o Edital, procurei a lista de Universidades com a relação de vagas disponíveis. Queria alguma que eu pudesse cursar o máximo de cadeiras que aproveitaria bem no currículo aqui. Olhei a University of Regina, Canadá, 1 vaga. Interessei-me muito pela Università di Bologna, Itália, 2 vagas. Tentei alguma na França, porém eram todas voltadas para áreas de negócios e não aceitavam alunos da área jurídica. Além disso, adicionei as duas disponíveis da Alemanha, Universität Tübingen, 5 vagas; e Universität Osnabrück, 3 vagas.
         Feito isso, comecei a buscar nos seus sites as informações acadêmicas e sobre moradia em cada uma delas. Enviei e-mails a algumas, que prontamente me responderam para buscar qualquer informação na secretaria da minha Universidade, a qual deveria ter todas elas. Porém, as informações recebidas pelo escritório do programa de intercâmbio eram tão restritas quanto as minhas, baseando-se apenas nas páginas online das Universidades que acabaram de mostrando extremamente confusas e com links que levavam a páginas "em construção" ou "não mais permitida visualização". Procurei, assim, me informar com pessoas que já haviam estado nestas universidades, tanto alunos quantos professores, e foi a melhor escolha que fiz. Com isso, a Universität Tübingen se mostrou a mais promissora para o meu curso.
           Para minha surpresa, ao pesquisar mais a fundo, descobri que a Universidade foi fundada em 11 de março de 1477, dia e mês também em que sempre comemorei a passagem de meus anos. Que coincidência. Neste 2016, então, enquanto celebro meu aniversário de 19 anos, a Universidade completa 539 de muita história.
         Eberhard Karls Universität Tübingen está localizada no estado de Baden-Württemberg. Possui 10 ex-alunos ganhadores de prêmios Nobel nas áreas de química e fisiologia ou Medicina. É uma das cinco cidades universitárias clássicas na Alemanha. A cidade possui cerca de 80.000 habitantes, dentre eles uns 30.000 estudantes de todas as nacionalidades que moram no próprio campus, no bairro de Waldhäuser Ost, também conhecido como WHO, onde os estudantes que para lá irão, devem procurar um apartamento para locar durante o tempo de estudo (interesse? ver post "Procurando um apartamento").




Thursday, March 3, 2016

Minha primeira festa "alemã'.

        Na minha segunda noite na casa de família, fui convidada à uma "festa" na vizinha. Haviam convidado um músico italiano para tocar violão e falar um pouco sobre a história deste instrumento. Foi um pouco engraçado ver o músico com um terno e gravata, tudo alinhado, e com uma pantufa preta, já que todos nós tiramos o calçado antes de entrar na casa. 
       O interessante, e diferente do que geralmente se passa no Brasil, é que cada convidado que chegava trazia um prato de comida, doce ou salgada. Quando começou o concerto estávamos todos sentados atentos ao músico já com alguma bebida de nossa preferência. Durou cerca de 1h e alguns minutos, e então o buffet estava aberto. Nisso, vi os donos da casa indo para a rua, e de lá eles voltaram com os doces e as bebidas, que haviam ficado refrigerando, sim, na rua. E ficaram na temperatura certa.
          Porém, o mais legal de tudo, foram as conversas enquanto comíamos. Acabamos descobrindo que foi um encontro super internacional. Estava eu representando o Brasil e havia pessoas da Turquia, Grécia, Suíça, Afeganistão, Uruguai e Berlim, que brincamos que era quase fora do mundo de Tübingen por ser uma cidade tão grande. Por conseguinte, as comidas que também tinham origem diferente. Posso dizer que o pastel turco é uma delícia, de forno, com recheio de queijo, ervas e gergelim. O pastel grego é folhado, também com queijo, mas diferente do outro. Experimentei a salada de repolho alemã e um creme muito forte que se coloca junto, acabei não perguntando para quem fez o que era. Foi uma experiência, digamos, gostosa.
                  Falamos sobre pontos turísticos de nossas respectivas cidades e o que trouxe cada um para a Alemanha. Comentamos sobre viagens e muitos vieram falar comigo sobre futebol também. Fiquei sabendo, inclusive, que futebol não passa na televisão. Pelo que me disseram, ou paga para entrar no estádio ou paga para assistir a partida em algum bar. Falamos sobre a faculdade, inclusive
                Enfim, a noite terminou passava das onze horas da noite, pelo menos para mim, os demais ainda ficaram aproveitando aquele momento de descontração e troca de experiências.

Wednesday, March 2, 2016

Neve em dia de mudança.

       Dia 29 de fevereiro eu consegui, a grande custa, pegar as chaves do meu apartamento! Nevava tanto aquele dia que chegava a doer quando os flocos se chocavam com a minha pele. Da casa em que eu estava até o apartamento dava cerca de 10 minutos caminhando, em ruas molhadas da neve já derretida. São longos 10 minutos para um dia assim. 
        Carreguei uma das minhas malas até o apartamento, que por sorte fica quase em frente a porta principal, e deixei-a lá. Fui atrás de um cabo de conexão para internet, mas acabei não encontrando ali nos arredores. Somente no dia seguinte, perto da ponte principal. O Fichtenweg tem internet, mas por enquanto, pelo menos, não Wifi, a não ser que a pessoa compre um modem e o configure, então optei pelo cabo mesmo.
         É um apartamento grande com um banheiro pequeno, mas aconchegante, com roupeiro e com um vista bonita para o condomínio.
        No dia 1º de março ventava muito e acabou pela tarde fazendo sol. A mãe da família que me recebeu antes me ajudou a terminar a mudança, levando minha segunda mala até o condomínio. À noite, não passava das oito horas, já estava devidamente instalada e malas guardadas.
         É estranho, um pouco, desfazer as malas num quarto que não tem as cores com que tu já está acostumado. É estranho bater em alguns lugares ao arrumar tudo por não ter muita noção do espaço disponível. É muito diferente organizar seus pertences na estante e não ver antigos adereços já lá há tanto que nem se lembra. Porém, é uma experiência que te marca e te faz pensar que a vida não é só um quarto, não é só uma decoração, não se resume a livros colorindo uma estante.
          Mudar pode ser complicado. Dói, dá saudade, aperta até não poder em alguns momentos. Mas também é poder ver que a vida pode ser liberdade, independência em cada modalidade. É conhecer a ti mesmo e às vezes ter medo disso, mas às vezes ficar impressionado. É buscar, em alguns detalhes, a lembrança da terra que tu optou por sair, mas é tentar na maior voracidade levar as impressões de onde escolheu, por hora, residir.

Tuesday, March 1, 2016

A necessidade extrema da língua oficial.

         Acho, sinceramente, esse tema muito batido, mas tenho me encontrado com estudantes na rua e alguns têm sido teimosos em falar direto em inglês com os habitantes da região. Vejo claramente a diferença de tratamento das pessoas entre alguém que fala inglês com elas e alguém que tenta o alemão que pode.
         Os jovens daqui geralmente não se importam, são estudantes e pretendem ajudar no que for necessário. Mas quem trabalha e quem realiza toda burocracia da Universidade, geralmente pessoas de mais idade, gosta que falem em alemão. Às vezes, inclusive, só atendem se falarem em alemão. Eles realmente não se importam que esteja errado, inclusive alguns te corrigem ou te ensinam palavras novas (e é sempre bom agradecer quando isso acontece porque não são todos), eles querem apenas ver o interesse no aluno.
           Além disso, não deixa de ser uma demonstração de respeito pela pátria que se visita. Então venha com seu Guten Morgen, Vielen Danke, Entschuldigung, Hallo! que certamente os alemães se mostrarão receptivos e um povo, inclusive, alegre.