Tuesday, March 15, 2016

Subindo 768 degraus.

       Num de nossos dias durante a semana em que permanecemos em Blaubeurren, tivemos uma tarde de visita à cidade de Ulm. É uma cidade muito bem movimentada, de cerca de 120.000 habitantes e com a catedral (Münster) gótica mais alta do mundo, completa com seus 161 metros de altura e 768 degraus para chegar até o topo.
         Em contraste com essa catedral, temos uma Stadthaus, ou seja, uma casa enorme com informações para turistas e que sempre tem uma exposição nova para quem desejar visitá-la. Construída por volta de 1993, essa Stadhaus foi projetada por um arquiteto nova iorquino ganhador de prêmio Nobel chamado Richard Meier. A intenção principal era fazer com que se cultivasse o máximo do espaço e trouxesse mais pessoas para visitar a Münsterplatz. Porém, no fim, essa construção trouxe muito polêmica para a cidade a partir do momento em que ofuscou um pouco a grandiosidade da catedral que fica a poucos metros de distância. Fala-se, então, que temos na Münterplatz um notório contraste de uma linda construção histórica gótica com um edifício de arquitetura completamente moderno.
        Além disso, que já não é pouco, há a poucas quadras da Münsterplatz o prédio da prefeitura de Ulm. É um prédio repleto de imagens e cenas retratadas à mão conservadas do ano de 1419, quando o prédio efetivamente se tornou uma prefeitura. É um prédio muito conhecido não só por ser lindo, mas também por possuir um relógio astronômico projetado por Johannes Kepler em 1520, e que continua funcionando até os dias de hoje. Nele podemos ver em que mês estamos e que signo está prevalecendo no momento, por exemplo. Dourado com azul, é uma marca muito querida pela cidade de Ulm.
          Agora um pouco mais distante de tudo isso (digo pouco porque para ser distante em Ulm tem que fazer esforço), temos o rio Donau. Ele reparte Ulm em cidade velha e cidade nova. Tudo aqui falado fica na cidade velha, e quando olhamos através do rio notamos uma diferença de arquitetura, de cor nas edificações, da quantidade de vidro que há na nova Ulm, esta que já fica na região da Baviera. Sim, estávamos há uma travessia de rio de distância da Baviera, e isso é tão legal que até o Rei, em 1810, pensava isso também. Nesse ano ele pediu para que construíssem um aparato de vôo, completamente louco, para que ele pudesse atravessar o rio direto do topo da torre de entrada de Ulm. No dia da apresentação para a população, o aparato acabou caindo dentro rio sem concluir a travessia. Nada de grave aconteceu, nenhuma morte daquele dia, mas a partir disso os construtores do aparato notaram que ele até funcionava para atravessar para a Baviera, mas apenas se cruzassem pelas montanhas e não por cima do Donau, onde o vento era tão instável.
         De volta a catedral de Ulm, era hora de subir a torre. Quando começamos a subida, não sabíamos que ia ser tão complicado. A gente sabia que a torre era muito alta e que eram muitos degraus, mas não tínhamos conhecimento que as escadas eram tão estreitas a ponto de termos que cuidar para não ficarmos tontos. Foi engraçado ao mesmo tempo que todos ficamos sem ar e apenas queríamos nos deitar no chão. No total são três lances de escadas até o topo, para que as pessoas possam optar por ficar pelo caminho ou seguir até o fim. Não foram todos do nosso grupo que foram até o final das escadas. Talvez pelo vento forte, talvez pelo medo de altura, mas independente do lance de escada que a pessoa para, a experiência é incrível. Estava meio nublado no dia, mas lá de cima isso não impediu que tivéssemos uma ótima visibilidade de 360º de Ulm. Os tetos avermelhados, os rios Donau e Blau, a biblioteca da cidade em forma de pirâmide de vidro. Pode ter sido difícil a subida e a descida, mas parando para pensar, é mais uma história pra lembrar com as pessoas que estavam contigo naquele dia. O quanto riram quando a escada não acabava nunca e as casas nunca ficavam maiores lá embaixo, o que significava que o chão ainda estava muito longe. O quanto algumas pessoas ficaram sabendo sobre si no momento em que a claustrofobia ou o medo de altura não deixou que continuassem. O quanto desejávamos como nunca antes um elevador.
             Nossas pernas ainda doeram durante os próximos dias, evidentemente. Porém, não há uma vez que ao olhar uma escada, não pensemos sobre aquela tarde tão fria que acabou nada mais anda menos que com um bom chocolate quente com chantilly num café ao lado da prefeitura de Ulm.


Münster
Stadhaus

Prefeitura - Rathaus

Maquete da cidade de Ulm


Escada de subida até o topo

Topo da Catedral - Münster


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