Tuesday, April 26, 2016

Stuttgart.

       Stuttgart! Uma das melhores cidades para se fazer compras!
        Saindo de Tübingen, Stuttgart fica há 40km ao norte, e chegamos lá na Hauptbahnhof em mais ou menos uma hora de viagem, e não podia haver localização melhor para se chegar numa cidade na Alemanha do que na estação central de trem. Geralmente, são super bem localizadas e o centro da cidade está a algumas quadras de distância. 
        A rua mais famosa de Stuttgart é a Königstraβe, onde se encontram o maior número de lojas na cidade. Temos H&M, New Yorker, Tally Weijl, Decathlon, Galeria Kaufhof, Zara, Timberland, Douglas, S. Oliver, Tom Tailor, Adidas, Osiander, entre várias outras opções, inclusive super mercados. Ela está localizada logo em frente a entrada da estação central. Portanto, se chegar em Suttgart depois das 10h da manhã, esteja preparado para encontrar uma cidade para lá de movimentada. Não consegui tirar nenhuma foto depois das 10h de tanta gente, a que podem ver abaixo foi tirada 9:15h da manhã. 

         Temos também a loja da tão querida Primark! Mas não está na Königstraβe, o que leva a muitas pessoas a não encontrá-la. A Primark fica para o outro lado da estação. "Nos fundos" digamos assim, num local um pouco mais afastado, dentro do shopping Milaneo, como podem ver no mapa abaixo.

         Porém, Stuttgart não é simplesmente só compras. Nessa cidade se localiza uma das bibliotecas mais lindas e de arquitetura mais moderna da Europa. A construção dela custou 80 milhões de Euros e levou cerca de 3 anos para ficar pronta. O prédio é completamente branco, o que pode dar uma sensação de frieza em alguns visitantes, mas em compensação há um teto de vidro que ilumina naturalmente o ambiente. Tem formato de cubo e possui 11 andares com centenas de obras literárias.
Imagem do google.
       Temos também a linda casa de Ópera, onde assistimos "Carmen" na noite do dia primeiro de Abril. A Operhaus foi encomendada pelo Rei Wilhelm II, o qual era extremamente apaixonado por teatro e óperas. Uma curiosidade: os lugares mais caros da ópera não são os melhores de assistir aos espetáculos. Ele é mais caro pois era onde a rainha costumava ficar e fica em frente e em cima em relação ao palco. Porém, Wilhelm II tinha uma cabine especial à esquerda acima do palco, onde, segundo ele, fica a melhor acústica de todo o estabelecimento. 
              Atualmente, é orgulho de Stuttgart ser a maior Operhaus da Alemanha, tendo UMA cadeira disponível a mais que a própria Operhaus de Berlim.
Dentro da Operhaus.

Podemos ver a Cabine da Rainha, onde as pessoas estão.
Cabine do Rei.
Frente da Operhaus.


             Além disso, outra experiência por que passei em Stuttgart foi o Museu da Mercedez-Bens! Que lugar enorme, para falar a verdade, e lindo. Ele se estrutura num prédio circular. O Tour começa num elevador que te leva até o último andar, com o primeiro automóvel do homem: um cavalo. Em seguida, vamos andando entre as carruagens e carros que cada vez vão ficando mais novos enquanto descemos de andar através de rampas.

         










 


    Tem pessoas que dizem que o Museu pode ser muito sem graça por "ter só carros", mas não é verdade. Mesmo para quem não gosta da história automobilística, esse museu pode ser muito interessante. Nas paredes das rampas nas quais fazemos gradualmente a troca de andar, tem muitos pôsters históricos. A gente pode acompanhar o que estava acontecendo no mundo enquanto a Mercedez melhorava cada vez mais a sua engenharia e mudava o estilo de seus carros. Acompanhamos acontecimentos como guerras mundiais, assinaturas de tratados internacionais, estilos musicais que foram tomando forma, luta pelo direito da mulher, entre diversos outros momentos do último século.


 












 
           Ao fim do tour, já na era dos carros de corrida, temos a possibilidade, então, de entrar num simulador de duração de 5 minutos. Funciona sempre de dois em dois visitantes que querem entrar no simulador. É uma cabine suspensa no ar, que se mexe para dar efeitos 3D na tua "corrida"! De fora parece algo muito divertido, e de dentro, temos certeza disso! É um simulador que te leva pelo tempo e te dá a sensação dos diferentes tempos dos automóveis da Mercedez. Enquanto o simulador vai te contando a história por uma tela na tua frente e por áudio, ele te faz literalmente sentir as alterações mecânicas feitas e tu tem a oportunidade de andar com os carros pelo barro, asfalto e paralelepípedo. É muito interessante. Sugiro à todos que salvem um tempo do seu tour para entrarem no simulador e terem um ótimo momento com muitas risadas.
 









Saturday, April 23, 2016

Palavras de um trem em movimento.

       Eu ouvi uma vez numa música que a gente só odeia a estrada quando sentimos falta de casa. Sempre achei incrível e coerente essa frase, mas só agora depois de 2 meses longe de casa que percebo o quanto ela realmente significa. Houve dias em que tudo que queria era fazer aquele percurso já conhecido de onde chamo de lar, com os rostos e sorrisos que sei de cor. A vontade daquela mesa de café da tarde bem posta, e "chama todo mundo porque o pão saído do forno está esfriando!!"
           Houve dias em que o trem nunca parecia que chegaria, e o frio não me deixava ficar sossegada esperando. 

      Por outro lado, houve dias em que me surpreendi comigo mesma. Com minha deveras coragem de ir pra cidades tão diferentes que muita gente nem ouviu falar. De pegar trens meio na dúvida e de ter que confiar na informação de qualquer pessoa que parasse para ouvir minhas dúvidas na rua. De entregar minha câmera pra tanta gente de tantos países que muitas vezes não falavam nenhuma das línguas que eu falo, mas que de alguma forma entendiam meu pedido e prontamente tiravam uma foto minha.
        Houve dias que a efemeridade do tempo da estrada me dava um choque e eu não mais sentia tanta falta de casa. Quase não dormi em nenhum percurso que fiz até hoje pelos trilhos ou estradas da Alemanha e França. Apenas ouvia minhas músicas, lia meus livros ou pensava em tudo que está acontecendo e escrevia, como aconteceu com esse texto.
       Sinto sim falta de poder às vezes perguntar "e aí? Acha que isso vale a pena comprar?" ou "psiu, isso aqui fica legal em mim ou não eras?" quando viajo sozinha, mas com isso vou vendo que na vida inteira há momentos em que ninguém pode fazer escolhas por mim, e que como forma de acalento isso não é ao todo ruim, apenas se a escolha for a errada, não há com quem dividir a culpa.
        Morar sozinha tem sido um desafio e é incrível como muitas vezes somos mais organizados sem nossos pais do nosso lado. Porque claro, eles não estão ali 24 horas por dia para te lembrar das responsabilidades, então tu precisa fazer isso completamente sozinha. Lembrar das contas, eventos, reuniões, lavar a roupa, fazer a comida, lembrar de comprar comida (muito importante), limpar o quarto, a cozinha, o banheiro. Aderimos uma rotina completamente nova e com isso ficamos sabendo um pouco mais de nós mesmos. Uma parte de nós que jamais conheceríamos se não morássemos sozinhos.
           É uma sensação boa, mas talvez estranha para muitos. Como disse para algumas pessoas que me perguntaram, estar sozinha num país tão diferente do meu tem tanto seus muito altos quanto seus muito baixos. Porém, mantemos a positividade na maior parte do tempo. A experiência é única, a oportunidade também. A intenção toda é conseguir fazer com que as pessoas possam viver através de mim, um pouco dessa oportunidade à mim ofertada. E talvez incentivá-las em alguns aspectos, mostrar que não estão sozinhas nos medos do cotidiano. Esse é, sem dúvida, um dos meus maiores objetivos. Até porque eu gosto também de sentir que não estou sozinha.
         Quem sabe, sendo assim, todos os trilhos para as tantas cidades, me levem, na realidade, ao mesmo lugar. Um lugar onde nem sabia que gostaria de estar, mas que acabei chegando e me apaixonando. E quem sabe, assim como sempre quis, consiga levar pessoas comigo, para que sintam uma euforia quase palpável de tantos acontecimentos inimagináveis.




















Sunday, April 17, 2016

Castelo de Hohenzollern.

       O Castelo de Hohenzollern possui suas primeiras documentações pelo ano de 1061, sendo uma fortificação que preserva a herança prussiana num morro dos Alpes Schwäbisches. Há mais ou menos 1h e meia de Tübingen, o trajeto que fizemos foi de Trem, depois um ônibus até um pedaço do morro e depois à pé até chegarmos ao castelo.
       Para poder dar uma informação mais legal sobre esse marco histórico, procurei um pouco da história na internet para relatar aqui. 
       Sendo hoje já a terceira reconstrução deste palácio, Hohenzollern foi residência a dos condes schwäbisches a partir da primeira metade do século XI. A família Hohenzollern chegou ao poder durante a Idade Média, tendo governado o Reino da Prússia, Brandemburgo e o Império Alemão até ao final da Primeira Guerra Mundial. A união de Brandemburgo e o Ducado da Prússia em 1618 culminou na proclamação do Reino da Prússia, em 1701, quando o país se tornou uma das grandes potências de sua época, com maior influência nos séculos XVIII e XIX. Durante o século XVIII, sob o reinado de Frederico, o Grande, a nação teve uma grande influência em muitos assuntos internacionais. Durante o século XIX, o chanceler Otto von Bismarck uniu os principados alemães em uma "Alemanha Menor", que excluía o Império Austríaco. No Congresso de Viena (1814-1815), que redesenhou o mapa político da Europa após a derrota de Napoleão, a Prússia adquiriu uma grande parte do noroeste do que atualmente é a Alemanha. Porém, a Prússia foi legalmente extinta em 1940.
           A ideia da reconstrução do castelo pela terceira vez pode ter surgido em 1819, quando o príncipe herdeiro e futuro Rei Frederico Guilherme IV, quis conhecer as raízes de sua família. É, então, um edifício de arte neogótica do renomado arquiteto berlinense Friedrich August Stüler, o qual também possui o seu rosto pintado em uma das paredes do castelo.
          Depois da reconstrução, o castelo nunca foi habitado por longos períodos, tendo apenas funções representativas. Apenas o último príncipe real, Guilherme da Prússia (1882–1951), viveu por alguns meses no castelo, no final de 1945. Tanto ele como a sua esposa, a princesa Cecília de Mecklemburgo-Schwerin (1886-1954), estão sepultados em Hohenzollern.
          O tour dentro do Castelo tem cerca de 1h de duração e se inicia numa pequena sala em que tem pintada nas paredes as árvores genealógicas das tantas famílias que utilizaram o castelo como moradia. As histórias de conquistas e derrotas são tantas que a história inteira chega a ser muito complicada. O uso de um calçado de feltro por cima do teu própria sapato é obrigatório para não afetar o chão que é basicamente esculpido em três madeiras diferentes. 
          Como quase todos os castelos, dentro dele é tão gelado (ou mais) quanto na rua, e também não se pode tirar fotos dentro das instalações. Mas posso dizer que são lindas e riquíssimas em detalhes. Os lustres, para vocês terem uma noção, precisam de 48 velas para estarem completos. Há retratos pintados à óleo dos integrantes das famílias por todos os cômodos, e a maioria das decorações são de coloração azul. 
          Atualmente, o Castelo de Hohenzollern serve como uma linda atração turística, recebendo mais de 300.000 visitantes por ano.
 
Mapa da Prússia - imagem do google.
Chegando de ônibus.



"Pantufas" obrigatórias para tour no castelo.

Friday, April 15, 2016

Usando a piscina pública pela primeira vez.

        Perto do meu condomínio, temos uma piscina pública chamada Hallenbad Nord. Hoje decidi ir experimentar, já que estava chovendo e não seria possível correr pela fazenda aqui perto, como faço para me exercitar. 
         Primeiramente entrei no site e percebi que a cada dia da semana, o espaço oferecido tem programação diferente. Olhem só esse quadro com os horários de funcionamento:
         A última coluna se refere a como funciona a "água". Por exemplo, há um horário só para mulheres usarem a piscina. E há, por exemplo também, sexta e sábado o "dia da piscina quente".
        Chegando na Hallenbad, me deparei com uma cancela, a qual pedia um cartão de entrada. Ao lado dela, havia uma máquina que se podia optar pela língua inglesa ou alemã e então efetuar a compra deste cartão. O preço sempre variando pela idade e se é estudante ou não. Passado isso, entramos nos vestiários.
         O vestiário é consideravelmente pequenos porque são individuais. Então se entra numa porta, fecha e então sai pela outra quando se está pronto. Saindo da segunda porta, ficam os armários, os quais possuem o mesmo esquema de qualquer guarda volumes: insere um ou dois euros para liberar a chave. No caso, por se tratar de um banho de piscina, o chaveiro vem em forma de pulseira, então é só trancar tudo que precisa no armário e colocar a chave no pulso. Pronto, não perde. Achei muito simples e muito prático.
         Há, então, o quarto de ducha feminino e masculino, e esses quartos saem direto nas piscinas. Há as piscinas especiais de crianças, inclusive com chafariz, e há a que eu fui, uma piscina olímpica com raias e trampolim. Havia na parede um relógio enorme para que pudéssemos controlar o tempo. Mas enorme mesmo, o suficiente para a minha miopia agradecer!
          As pessoas podem ficar o quanto elas bem desejarem, e o interessante é que cada um cuida do próprio espaço para não invadir ou prejudicar o nado do outro. Pessoas de todas as idades se encontram lá para aproveitar um momento relaxante, ou até fitness, do seu dia.

Imagens retiradas do website da Hallenbad Nord.


Tuesday, April 12, 2016

Sobre a comida Schwäbische.

       Baden-Württemberg, a região a qual pertence Tübingen, é a região Schwäbische da Alemanha. Assim como no brasil temos os gaúchos, aqui temos os Schwäbisches. Igualmente a como temos prazer no sul em mostrar uma típica Churrascada, com direito a maionese e pão com alho, a culinária local também se orgulha de apresentar seus deliciosos Maultaschen e Spätzle
         O que é isso?
       Maultaschen, como nos explicaram, é como um ravioli, mas um pouco maior, recheado com carne. Ele pode ser frito, com ovos ou sem, ou simplesmente cozidos em água. Na minha opinião, Maultaschen fritos com ovos é a melhor invenção que já fizeram para a culinária Schwäbische. São deliciosos e o acompanhamento tradicional é salada de batatas, mas nada de maionese nessa salada. 
        Esses típicos Maultaschen têm uma história por trás e o porquê de sua criação, achei super interessante e um pouco cômica. Eles foram inventados há muitos e muitos anos pelo habitantes da região para "enganar a Deus". Como já mencionado no texto da Páscoa, na sexta-feira Santa não se pode comer carne, porém, ainda assim, os Mouros queriam poder comer carne neste dia. Então o que eles pensaram? Que, colocando a carne dentro de uma massa, eles estariam escondendo-a de Deus. Impossibilitando Ele de vê-la, comer carne não seria assim tão reprovável, não é? Pois então, acabou tornando-se uma comida típica que, por sua vez, também tem a versão vegetariana hoje em dia, o que faz a história perder um pouco do sentido, mas é uma forma de possibilitar quem não come carne de experimentar a culinária local. 
           A foto abaixo foi tirada num jantar oferecido por uma organização estudantil aos novos estudantes (estrangeiros ou não) da Universidade de Tübingen para que pudéssemos nos conhecer mais e encontrar novas pessoas. Neste caso, o Maultaschen está cozido apenas em água, tem a salada e também cebolas fritas caramelizadas.

  

          Já o Spätzle, em uma comparação, é como um nhoque sem batatas, a textura é basicamente a mesma. Normalmente é servido com molho de queijo, mas pode ser com qualquer molho que agrade ao seu paladar. Por exemplo, no da foto abaixo é um molho de galinha, num jantar que tivemos em Esslingen. 
 

         Ele não tem uma forma única pois para fazê-lo é necessário fazer a massa e, depois, passa-se essa massa numa prensa e o Spätzle vai direto para uma panela com água fervendo. Assim, não há como cuidar que todos fiquem do mesmo tamanho ou espessura. Para fazer a massa não falta criatividade. Pela cidade, até em livrarias, pode-se encontrar algo como um copo que tem as medidas de farinha, água, ovo e óleo, e você precisa apenas adicionar no tanto indicado, fechar e sacudir o copo até a massa ficar homogênea. Diz-se que é preciso ter muita força para fazer esse prato, pois uma boa prensa não é nada leve. 
         À esquerda temos um exemplo da prensa boa, mais cara e que pesa muito. À direita podemos ver uma opção mais barata e também prática, pois podemos um tanto que apoiar na panela enquanto a utilizamos.
 
           Sobre bebida, naturalmente, a cerveja é sim a rainha das bebidas. E não posso negar, até agora não experimentei uma que não fosse "digna de suas calorias" como dizemos por aqui.


Tuesday, April 5, 2016

Uma páscoa diferente.

       Como fiquei por Tübingen durante o feriado de Páscoa, fui convidada a participar da comemoração dessa data na casa da família grega que me acolheu na Alemanha nos meus primeiros dias. Eles disseram que fariam um Brunch e começaria pelo meio dia, devido a troca de horário de verão, que me deixou a mais uma hora de diferença do meu país (completando agora 5 horas mais tarde aqui).
         A Páscoa na Alemanha tem um feriado de 4 dias para os trabalhadores (ou estudantes de curso intensivo de língua), a faculdade tem uma semana de folga e as escolas concedem duas semanas para as crianças e adolescentes. Mas os 4 dias não são os mesmos que geralmente é no Brasil. O feriado vai da sexta-feira (Karfreitag) e se estende até segunda-feira (Ostermontag). Isso porque a páscoa é um feriado feito realmente para passar com a família. A decoração das casas é feita por avós e netos, e não faria sentido nenhum as pessoas terem de viajar para casa justamente no domingo, o real feriado de páscoa. 
         A partir da meia noite de sexta, algumas casas de festa são proibidas de tocar música, pois as pessoas, de acordo com a tradição, não podem dançar, beber bebida alcoólica, nem comer carne vermelha na Karfreitag. O comércio inteiro fecha na sexta, domingo (como sempre) e na segunda. Então é super normal um dia antes do feriado os alemães irem comprar um "estoque" de comida para os dias seguintes (que eu também optei por aderir).
          Diferente do Brasil, os ovos enormes de chocolate são raros por aqui. A maioria é coelhinhos de chocolate e ovinhos pequenos coloridos. Para decoração, as famílias pintam as cascas dos ovos e, dependendo da criatividade, podem ser super coloridos, como podem ser só de uma cor, em seguida eles são geralmente pendurados em árvores dentro e fora de casa. Detalhe: os ovos cozidos que nós comemos também são pintados, geralmente da cor vermelha, em lembrança ao derramamento de sangue de Cristo, ainda que a cor amarela também seja bem popular.
         Na noite de sábado, então, eu já comecei os preparativos para levar um prato de Arroz à Grega, e de certa forma cooperar com o Brunch da família. No domingo, acordei cedo, terminei o prato e faltava 10 minutos para o meio dia quando deixei meu apartamento, chegando na casa pontualmente ao meio dia. A mesa estava pronta e esperava apenas que todos sentássemos. Tinha cerca de 16 pessoas, mas eu era uma das únicas duas que não falava grego. Tinha umas 5 pessoas com pouco menos de 30 anos e os demais eram de mais idade, os quais estranharam eu vir do Brasil mas me chamar Hannah.
          Por incrível que parece, um casal de mais idade sabia um pouco de português, e volta e meia soltavam uma palavra, geralmente uma comida presenta na mesa, e pediam para que eu corrigisse a pronúncia. Conforme conversávamos, trocamos um pouco de diferença em nossos costumes. Eles ficaram, por exemplo, apavorados com a quantidade de carne que comemos sempre. Haviam me perguntado quantas vezes por semana eu comia carne e disse "hm, duas vezes por dia, almoço e janta", e a reação foi surpreendente no rosto de todos da mesa. Por outro lado, eu disse que não comíamos tanto ovo quanto se come aqui na Alemanha, nem tanta manteiga. Então começou a conversa sobre triglicerídeo e colesterol alto ou baixo que provavelmente as duas nacionalidades teriam, uma conversa que não satisfez os 3 veganos presentes, que inclusive o próprio leite de soja haviam trazido de casa.
          Em respeito aos veganos, então, a comida foi árabe: na base de grão de bico e óleo de oliva. De sobremesa, fizeram-me experimentar de tudo um pouco. Tinha doces típicos árabes, um cheesecake feito em casa por uma das gregas, um bolo de páscoa grego (que é quase igual ao alemão, mas com mais temperos como o cardamomo) também feito em casa, e um doce de yogurte de soja. Meu favorito foi o cheesecake, que mesmo sem geleia em cima estava delicioso.
             Outro assunto super interessante que surgiu entre os mais jovens foi sobre festa de casamento. Começaram a falar sobre a correria para busca de um vestido e eu comentei sobre a festa de quinze anos que temos no Brasil e a igual preocupação com o vestido perfeito para a noite dos sonhos. E elas disseram "Espera, mas o vestido não é branco, né?" e eu disse "ah, sim, tradicionalmente ele deve ser branco", e então elas disseram "Meninas de quinze anos no Brasil se vestem de noiva???" e eu disse "Na realidade é a América Latina, e não é de noiva. Geralmente o vestido é branco, mas o corte e estilo dele têm um ar mais jovem que os caimentos e caudas dos vestidos de noiva". Então procurei uma foto e mostrei. Ao verem uma menina com um vestido armado, super fofo e arredondado da cintura para baixo, com luvas brancas, elas disseram "aaahhh, é como princesas!". Falei também da tradição do anel de quinze anos, e elas acharam muito lindo. Até que perguntaram o preço da festa.  Eu citei a diferença, portanto, de festa de debutantes para festa realizada sozinha, e elas pensaram que seria melhor gastar tudo isso numa boa viagem.
           Enfim, depois de cinco horas comendo e rindo de tantos pontos de vista particulares que diferem as culturas, fui para casa ligar para minha família. Conversar um pouco e relatar as tantas reações para com a minha "salada grega" que estava muito boa, e conversar para matar a saudade. Afinal, era Páscoa.



                 


Friday, April 1, 2016

Churrasco italiano.

       Na nossa última semana de curso, melhor dizendo, na segunda-feira depois da Páscoa que também é feriado na Alemanha, decidimos juntar o pessoal que não viajou nos dias livres para fazermos um churrasco. Estava um dia bonito, de vento, mas com sol. Para não dar grandes problemas em dividir o preço de tudo, a gente estabeleceu que cada um levaria o que achava cabível para um churrasco, e lá veríamos o que fazer.
        Por volta do meio dia começamos a nos reunir no apartamento do nosso amigo italiano, quem tinha a grelha. Para nossa surpresa, ele tinha também vários produtos vindos da Itália que a mãe dele havia mandado numa caixa da Toscana de Páscoa. Tinha óleo de Oliva, ervas do pátio dele (Loro e Alecrim), Colomba Pascal, parma e champagne. O mais interessante é que ele realmente fez a gente experimentar tudo e explicava a cada passo. Por exemplo, o café da manhã típico de Páscoa na Toscana é esse Colomba Pascal (um bolo com erva doce) envolvido com um pedaço de parma. Parece estranho, mas é extremamente gostoso.
        Para carne tínhamos linguiça (MUITA), filé de porco e filé de frango. O pão, depois de grelhado, passávamos no azeite de oliva com ervas e isso dava um toque especial. Uma russa que estava conosco levou batatas típicas russas, que são cozidas com ervas, e um chinês nos levou um arroz típico também, que é arroz com ovos, cebola e bacon. A cerveja havíamos comprado as locais aqui de Tübingen.
       Digamos, então, que foi um almoço enriquecedor. Com diferentes nacionalidades, no qual falamos e ouvimos 3 línguas, comemos comidas típicas, mas de vários locais. Um almoço super relaxante, que o sol nos presentou com seu calor e foi uma ótima forma de encerrarmos esse feriado, sem ficarmos no tédio da cidade parada.