Monday, February 29, 2016

Vivendo com gregos/alemães.

      Por chegar quase 2h antes do horário combinado na loja, achei que teria que esperar para largar minhas malas na casa, mas, por sorte, o cunhado da dona da loja ficaria em casa aquele dia. 
       Me recebeu direto na porta e me ajudou a carregar a bagagem. Quando entrei, lembrei de tirar o sapato e deixar do lado de fora, e ele me avisou que eu não poderia me instalar ainda por ter duas aulas para ministrar no cômodo. Esperei então na sala, com um delicioso e quente café grego que ele fez para mim. As aulas terminaram perto do meio dia, e juntos fizemos um almoço depois de eu acomodar minhas coisas. 
        Além disso, ele me mostrou a cozinha, que poderia pegar a comida que quisesse quando estivesse com fome, me mostrou a reciclagem de lixo e me deu uma cópia da chave da casa, caso saísse e voltasse quando não tivesse ninguém. Fiquei impressionada e feliz com a hospitalidade e confiança tão grande comigo. 
          Em seguida ao almoço, fui dar outra volta pela cidade e procurar os lugares em que teria de ir segunda. Quando voltei pra casa já era tarde, e a dona mesmo só chegou quase 22h, mas me recebeu com o mesmo carinho que o marido naquela manhã. A cama se mostrou muito aconchegante e bem quentinha para essas noites gélidas de Tübingen.
         Sábado, no café da manhã, me deparei com hábitos diferentes do Brasil. A manteiga não é meramente "raspada" e passada no pão. Se tira pedaços e se recheia bem. Além disso, coloca-se alguma geléia por cima. Todos sempre comem um ovo cozido (mas pedi o meu mais cozido e ela deixou mais tempo fervendo). Logo, ela saiu de casa e ele foi dar aula. Para não ficar sem fazer nada, novamente, peguei o ônibus e fui para o centro.
         Tive muita sorte em encontrar essa família. Eles têm um carinho muito grande pelas pessoas que vêm se aventurar num país tão diferente de quase tudo. Afirmaram-me que ganhei uma família, e posso visitá-los sempre que precisar de um abraço.


      

Ônibus em Tübingen.


            Aqui é tudo realmente muito perto no que envolve a Estação Central de Ônibus e Trem (Hauptbahnhof) e a cidade velha, como chamam o centro da cidade. Fiz à pé mais de 4 ou 5 vezes durante o primeiro dia sem nem dar por isso.
            Ainda assim, acabei pegando um ônibus para Waldhäuser-Ost, um bairro mais afastado do centro onde ficam os condomínios dos estudantes. Neste caso, as pessoas que já têm o cartão do transporte entram por trás e não precisam mostrar para ninguém se possuem realmente o cartão ou não. Fazendo disso um transporte público na base da confiança. Eu, como não tinha, entrei pela frente. Logo que passa a cadeira do motorista há uma máquina de venda de passagens. Há alguns botões com vários números e, ao lado deles o que significam. Os dois ônibus que peguei cliquei no número 11, que corresponde a viagens sozinho. Em seguida, a máquina mostra o valor do número clicado e começa a girar o receptor de moedas. Com isso, guarde suas moedas!! Moedas têm se mostrado muito importantes na Europa, desde de carrinhos de aeroporto e supermercado à guarda volumes em albergues e passagens de ônibus.
            Durante toda rota, há uma televisão na frente do ônibus que vai mostrando as paradas seguintes que, além de escritas, também são faladas ao longo do cumprimento da rota. Então se tem medo de se perder usando transporte público, olhe a rota do ônibus que vai pegar, sempre disponível em murais nas paradas que ele passa, memorize ou anote o nome de onde vai ter que descer e preste atenção na televisão. Depois, é só fazer o contrário que com certeza dá tudo certo.




Sunday, February 28, 2016

Quando fiquei sem quarto.

       Logo que cheguei no albergue (umas 10:30h da manhã), como já descrito aqui no blog, me informaram que eu não poderia ficar mais de uma noite e que o check in era apenas às 13h. Perguntei na recepção do albergue, então, onde poderia ir ou o que deveria fazer. O atendente apenas me alcançou um panfleto de hotéis em Tübingen e falou para eu perguntar em algum deles,  ou então passar numa banca de informações da cidade ali perto, só atravessando a ponte Neckarbrücke (uma ponte central de Tübingen que é parada obrigatória de turistas). Caminhei até essa banca e, por incrível que pareça, eles não sabiam nada. Alcancei meu folheto e perguntei como chegava em dois ou três lugares que tinha visto. Nada. Apenas me disseram "não é possível chegar à pé", e o diálogo seguiu mais ou menos assim: "Okay, então, como faço?" "hum, tenta ligar para lá" "Mas eu acabei de chegar na cidade, eu venho do Brasil, meu celular nem funciona ainda" "é, não temos como fazer isso pra ti".
         Agradeci, por mera educação, não por mérito deles, e voltei a olhar meu panfleto. Pensei em ficar em algum lugar perto de onde viria a morar na semana seguinte, assim seria mais fácil de carregar as malas. Entrei num prédio com o símbolo do Studierendenwerk (serviço de atendimento de estudantes) e perguntei a uma moça como fazia para chegar até meu condomínio. Ela não sabia me informar bem. Porém, havia um homem fazendo uma entrega e ouviu a minha história. Vendo o problema, ele me ofereceu carona até a Wilhelmstrasse, onde havia um escritório de informações da universidade e da cidade também. Ele era da Turquia e o colega dele de trabalho era da Romênia, me levaram até lá e me apresentaram para a senhora que atendia no local. Ela ficou uns bons minutos olhando um mapa, sem saber o que dizer, e por fim disse que não podia me ajudar. Então comentei que havia achado um hostel que ficava na Waldhäuser-Ost, e ela apenas me disse para pegar um ônibus ali na frente do prédio que me levaria até lá. 
          Então peguei o ônibus e fui. Já fiquei conhecendo o meu futuro condomínio e continuei andando. Almocei um pretzel com manteiga, ainda caminhando. Como não havia muitas pessoas para quem perguntar, caminhei um bom pedaço da rua até me deparar com uma lojinha de produtos orgânicos. 
          Quando entrei nela, havia uma jovem senhora no balcão, a quem perguntei se sabia onde ficava o endereço que eu estava atrás (isso já passava das 13h). Ela, então, disse que não era muito perto e, vendo que eu era de fora, solicitamente telefonou para lá perguntando a disponibilidade de quartos. Também não havia. Nesse momento ela começou a fazer muitas perguntas. Minha idade, por que estava na Alemanha, que parte do Brasil eu era, se eu tinha origem alemã e por aí vai. Em um certo ponto ela disse: "Acho que minha irmã pode te receber", em seguida pegou o telefone, ligou para a casa da irmã e começou a falar uma língua que não entendi. Terminada a ligação, ela me olhou e disse "Somos gregos. Tudo bem ficar na casa dela?" e eu, "Claro, sem problema. Muito obrigada, de verdade!" ao passo que ela disse "okay, meio dia, aqui na minha loja amanhã. Minha irmã mora com o marido ali atrás, te levo lá", Depois de agradecer milhares de vezes, voltei correndo para o albergue, não queria correr o risco de passar muito a hora do check in e perder meu quarto.
         E foi assim que, no dia seguinte, tomei café da manhã bem cedo e fiz o check out no albergue 9:15h da manhã. Peguei minhas malas, o ônibus e fui para uma casa de completos estranhos para mim, mas que já estavam na Alemanha há quase 50 anos.



Adaptando-se ao Albergue.


         Chegando em Tübingen, fui direto do Hauptbahnhof para o Jugendherberge. Lá, fiquei sabendo que eu só teria quarto para uma noite pois não havia feito reservas. Raramente esse albergue está lotado, até porque se divide os quartos entre 2 ou 3 pessoas, então quando mandei e-mail anteriormente, nem me avisaram de reservar, o que me deixou sem quarto até segunda-feira.

          O valor da noite mais café da manhã é realmente a estabelecida, mas o que não comentam é que há uma pequena taxa para um carimbo no “Cartão dos estudantes frequentadores de albergue”. Claramente esse não é o nome real, mas é basicamente isso. Todos estudantes que dormem em algum albergue têm essa carteirinha, e a cada noite há um novo carimbo. Essa carteirinha tem validade de um ano, então não tenho certeza se voltarei a usá-la.

          Os locais de realização de higiene pessoal são compartilhados por andar e são iguais tanto para meninos quanto para meninas. Sei disso por quando não estão em uso, todos eles ficam com as portas abertas.
             Quando cheguei no quarto 320, no fim do fim dos corredores, minha colega de quarto já estava lá (era italiana, estava em Tübingen para pesquisas de mestrado). Sendo assim, ela havia escolhido a cama de baixo do beliche, e eu acabei na de cima, tendo que escalar para poder dormir. O ruim disso também é que fiquei sem acesso ao meu celular, não podendo controlar as horas quando acordava de madrugada devido ao Jet-lag.

            Fun Fact: Eu esqueci a toalha quando fui tomar banho. Não sei como fiz isso, não sei como lembrei só depois de entrar no chuveiro. Então, não esqueçam de levar a toalha não só na viagem, mas para o chuveiro também, a não ser que queiram que bata o desespero de “Que que eu faço agora?”. É engraçado, mas não recomendo.

           Fora isso, uma ótima notícia. Sempre que é preciso deixar algum utensílio em guarda-volumes, algo que o albergue disponibiliza, esse serviço custa de 2 a 5 Euros. Porém, no momento em que tu devolve a chave para eles e deixa o armário livre novamente, aquele dinheiro volta para o seu bolso. Mais um surpresa positiva e super útil.





Saturday, February 27, 2016

Chegada em Stuttgart e Tübingen.


             Então nevou na primeira madrugada que eu estava na Alemanha. Tive que mudar meus planos de qual casaco usar para o dia seguinte. Não foi uma nevasca, mas foi o suficiente para deixar a superfície toda branca e seguiu na manhã seguinte para que favorecesse usar um casaco impermeável.
            Naquela noite, havia dormido no Ibis perto do aeroporto, pois já era tarde e não havia como vir direto para Tübingen, porque apesar de ter ônibus para lá, a cidade estaria toda fechada. Na manhã seguinte, peguei o ônibus 828 em direção a Tübingen Hauptbahnhof. Por ser um veículo de linha normal,  parou em várias paradas pelo caminho, mas chegou em imperceptíveis 1h05min.
             Tive dificuldade apenas em acomodar as malas e fazer com que não saíssem rodando pelo resto do ônibus a cada nova curva da estrada. Portanto, sugiro que quem fizer o mesmo para chegar a Tübingen traga uma cordinha que possa amarrar a mala mais firme nos apoios do ônibus. Mas a jornada em si é muito bonita e tranquila.
            Atenção! No Aeroporto,  há basicamente quatro placas com o número 828, porém, duas delas é a indicação do fim da linha deste ônibus, então cuidado para não esperar o ônibus nessas paradas, porque ele vai parar, mas o motorista não vai te deixar entrar.
            Algo importante ressaltar também é que sempre que eu perguntei, as pessoas diziam que eu devia pagar a passagem direto para o motorista. Bom, na realidade, é para ele, mas não nas mãos dele como fazemos com o cobrador no Brasil. Devemos colocar o dinheiro num apoio ao lado do motorista, ele coloca numa máquina quanto foi entregue e pressiona um botão que libera o troco logo abaixo. Só então ele pega o dinheiro que entregaram e guarda.
             Enfim, basicamente foi isso pelo que passei até chegar em Tübingen. Os ônibus aqui já foram outra história.




Friday, February 26, 2016

Viajando de KLM.

       Muitas vezes, por não ter um grande público brasileiro que a utiliza, tem pessoas que podem ficar um pouco receosas em contratar serviços da KLM. 
        Confesso que eu era uma dessas pessoas antes de embarcar. Porém, a companhia aérea me surpreendeu positivamente. Já em Porto Alegre, fui avisada que só teria que pegar minhas malas em Amsterdã e fazer check in. Isso tem sido normal em linhas aéreas internacionais, mas ao realizar o check in em São Paulo e conferir os dados para marcar o assento, fui notificada que as malas iriam DIRETO para Stuttgart, minha última parada em se tratando de aeroportos. Para alguém viajando sozinho com duas malas e uma mochila, essa é uma das melhores notícias a se receber.
            Em se tratando do vôo, logo que há a decolagem, o serviço de bordo começa. Então a janta é servida cerca de uma ou duas horas depois, novamente com tudo que se tem direito de pedir em bebidas. As luzes se apagam e apenas as televisões individuais iluminam os corredores. A variação de filmes é grande, tem pastas específicas de filmes holandês, coreano, chinês, árabe e Bollywood, e pode-se escolher as legendas disponíveis.
           De Amsterdã para Stuttgart o serviço não foi muito diferente. Com atendentes sempre bem atenciosos. Certamente recomendo a todos que puderem, ao viajar para a Europa, vir de KLM.  





Thursday, February 25, 2016

Chegada do contrato de Locação.

       Como já tinha citado em outro post, o contrato de locação chegou 4 meses depois da minha solicitação. Como os apartamentos são locados por semestre, sempre há necessidade de aguardar o semestre terminar para a Universidade fazer um levantamento dos quartos disponíveis e distribuir aos novos alunos, tentando sempre encaixar o apartamento nos requisitos solicitados pelos alunos.
        Meu contrato veio com 11 páginas, todas em alemão, a maioria delas tinha letras miúdas tratando de cláusulas sobre como se portar no apartamento, regras de convivência e principalmente os próximos passos a serem tomados. O primeiro, e mais urgente, seria de reenviar o contrato a eles assinado numa página determinada. Então imprimi a página, assinei, escaneei e reenviei dentro dos 6 dias que eu tinha para fazê-lo. O próximo passo era já depositar a parcela de aluguel do mês de Março no máximo até 18 dias depois do recebimento daquele email.
         Algo que causou grande alarde entre as alunas brasileiras que receberam esse contrato foi o fato de, ao final dele, ter uma cláusula de observação sobre o gênero ao qual o contrato se referia. A fim de facilitar a escrita, o contrato foi escrito como se fosse apenas destinado aos homens, com todos pronomes de tratamento, adjetivos, etc. em masculino porque na língua alemã, o simples fato de mudar de masculino para feminino alteraria umas 3 ou 4 palavras na frase, o que, num contrato, seriam muitas ressalvas e barras para se pôr. Então, o que há na cláusula é que, embora esteja escrito aparentemente só para homens, aquele contrato é válido para as mulheres também.
           Muito importante destacar que vários alunos são pegos de surpresa quando chegam para se instalar no apartamento pelo fato de só então ficarem sabendo da necessidade de pagar uma taxa de Caução antes de poder ter acesso ao quarto. Essa taxa deve ser paga in cash como garantia que, depois de terminada a validade do contrato e não tendo acontecido nada que necessitasse reparos no apartamento, é devolvida alguns meses depois do término do contrato.
           Além disso, no contrato, encontram-se todos os horários de funcionamento do setor administrativo do condomínio e de quando é possível pegar a chave do apartamento com o zelador. Sendo que nenhum serviço é oferecido em feriados nacionais e fins de semana, então não se aconselha que os alunos cheguem ao campus nessas datas.
            Foi impossível não sair procurando fotos do lugar e já ir localizando no mapa. Afinal, é onde vou morar "sozinha" durante todo o período de mobilidade.