Logo que cheguei no albergue (umas 10:30h da manhã), como já descrito aqui no blog, me informaram que eu não poderia ficar mais de uma noite e que o check in era apenas às 13h. Perguntei na recepção do albergue, então, onde poderia ir ou o que deveria fazer. O atendente apenas me alcançou um panfleto de hotéis em Tübingen e falou para eu perguntar em algum deles, ou então passar numa banca de informações da cidade ali perto, só atravessando a ponte Neckarbrücke (uma ponte central de Tübingen que é parada obrigatória de turistas). Caminhei até essa banca e, por incrível que pareça, eles não sabiam nada. Alcancei meu folheto e perguntei como chegava em dois ou três lugares que tinha visto. Nada. Apenas me disseram "não é possível chegar à pé", e o diálogo seguiu mais ou menos assim: "Okay, então, como faço?" "hum, tenta ligar para lá" "Mas eu acabei de chegar na cidade, eu venho do Brasil, meu celular nem funciona ainda" "é, não temos como fazer isso pra ti".
Agradeci, por mera educação, não por mérito deles, e voltei a olhar meu panfleto. Pensei em ficar em algum lugar perto de onde viria a morar na semana seguinte, assim seria mais fácil de carregar as malas. Entrei num prédio com o símbolo do Studierendenwerk (serviço de atendimento de estudantes) e perguntei a uma moça como fazia para chegar até meu condomínio. Ela não sabia me informar bem. Porém, havia um homem fazendo uma entrega e ouviu a minha história. Vendo o problema, ele me ofereceu carona até a Wilhelmstrasse, onde havia um escritório de informações da universidade e da cidade também. Ele era da Turquia e o colega dele de trabalho era da Romênia, me levaram até lá e me apresentaram para a senhora que atendia no local. Ela ficou uns bons minutos olhando um mapa, sem saber o que dizer, e por fim disse que não podia me ajudar. Então comentei que havia achado um hostel que ficava na Waldhäuser-Ost, e ela apenas me disse para pegar um ônibus ali na frente do prédio que me levaria até lá.
Então peguei o ônibus e fui. Já fiquei conhecendo o meu futuro condomínio e continuei andando. Almocei um pretzel com manteiga, ainda caminhando. Como não havia muitas pessoas para quem perguntar, caminhei um bom pedaço da rua até me deparar com uma lojinha de produtos orgânicos.
Quando entrei nela, havia uma jovem senhora no balcão, a quem perguntei se sabia onde ficava o endereço que eu estava atrás (isso já passava das 13h). Ela, então, disse que não era muito perto e, vendo que eu era de fora, solicitamente telefonou para lá perguntando a disponibilidade de quartos. Também não havia. Nesse momento ela começou a fazer muitas perguntas. Minha idade, por que estava na Alemanha, que parte do Brasil eu era, se eu tinha origem alemã e por aí vai. Em um certo ponto ela disse: "Acho que minha irmã pode te receber", em seguida pegou o telefone, ligou para a casa da irmã e começou a falar uma língua que não entendi. Terminada a ligação, ela me olhou e disse "Somos gregos. Tudo bem ficar na casa dela?" e eu, "Claro, sem problema. Muito obrigada, de verdade!" ao passo que ela disse "okay, meio dia, aqui na minha loja amanhã. Minha irmã mora com o marido ali atrás, te levo lá", Depois de agradecer milhares de vezes, voltei correndo para o albergue, não queria correr o risco de passar muito a hora do check in e perder meu quarto.
E foi assim que, no dia seguinte, tomei café da manhã bem cedo e fiz o check out no albergue 9:15h da manhã. Peguei minhas malas, o ônibus e fui para uma casa de completos estranhos para mim, mas que já estavam na Alemanha há quase 50 anos.

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